A pergunta que ninguém conseguiu responder
Uma empresa descobriu a senha da lista de clientes dentro do próprio app. O problema de dono não foi esse — foi a pergunta seguinte, que ninguém conseguiu responder.
Uma empresa americana de restaurantes descobriu que a senha que abre a lista de clientes estava dentro do próprio aplicativo. Qualquer pessoa com o app instalado tinha ela em mãos. Mais de um milhão de celulares baixaram o programa.
Isso é ruim. Mas não é o que me interessa aqui.
A pergunta que derrubou a resposta
Quando perguntaram sobre o caso, a dona da marca respondeu que não encontrou sinal de que alguém tivesse usado a senha.
Aí veio a segunda pergunta: existe registro de quem entrou?
Sem resposta.
É nessa segunda pergunta que mora o problema de dono. A primeira resposta parecia tranquilizadora. Depois da segunda, ela virou outra coisa: "não encontrei nada" deixou de ser uma afirmação sobre o que aconteceu e passou a ser uma afirmação sobre o tamanho do que foi olhado.
Trocar a senha é o barato
Uma senha se troca numa tarde. O que não se faz numa tarde é o registro de quem entrou — porque ele só existe se estava ligado antes.
Não dá pra produzir em outubro o registro que ninguém ligou em julho. É a única parte dessa história que o dinheiro não resolve depois.
E essa é a diferença entre um problema caro e um problema sem saída. O caro você paga. O sem saída você explica.
O que isso cobra de quem toca negócio
Não é sobre aplicativo. A sua empresa tem alguma lista que vale dinheiro — cadastro de cliente, tabela de preço, histórico de pedido. Três perguntas:
- Quem pode abrir?
- Fica registrado quando abre?
- Se um cliente ligar amanhã perguntando quem viu os dados dele, você responde em quanto tempo?
Se a terceira pergunta não tem resposta, as outras duas também não têm — você só ainda não precisou descobrir.
No tatame ninguém sobe jurando que não vai cair. Treina pra saber o que fazer quando cai. Em negócio é igual: dono não é quem promete que nada dá errado. É quem responde quando dá.
A padaria da esquina anota quem abre o caixa. Seu cadastro de cliente vale mais que o caixa.
A apuração deste caso — o que foi encontrado, como, e o que a empresa respondeu — é do blog da Silicon Village. Aqui eu olho pelo outro lado: não o que deu errado na engenharia, e sim o que isso cobra de quem decide.
