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Até o melhor de todos perde quase sempre

No golfe, no tênis e no judô, até o maior da história perde muito. No negócio é igual: quem vence é quem ganha a média, não o dia.

Jeferson Guardezi · 2 min de leitura
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Cartão com o título: Até o melhor de todos perde quase sempre.

Tiger Woods é o maior golfista da sua geração. Saiu sem o troféu de quase quatro em cada cinco torneios que jogou. Se até ele perde assim, perder não é sinal de que você está no lugar errado. É o preço de estar no jogo.

Onde mais se perde

Dizem que o tênis é o esporte em que mais se perde. É meia verdade.

No golfe, Tiger venceu 82 dos 378 torneios que disputou no PGA Tour: 21,6%. É a melhor marca entre os grandes. Ben Hogan teve 21,3%, Sam Snead, 14% (Golf Digest). O golfista não enfrenta um adversário. Enfrenta mais de cem ao mesmo tempo, e só um sai com o troféu.

No tênis, Roger Federer ganhou 1.251 das 1.526 partidas de simples que jogou, 82%. Mas levou 103 títulos em 367 torneios (estatísticas da carreira). Saiu derrotado de cerca de 72% deles, porque o tênis é mata-mata: perdeu uma, acabou a semana. E dos pontos que disputou, ganhou só cerca de 54% (Dartmouth).

No judô, também mata-mata, Teddy Riner ficou 154 lutas sem perder, de 2010 a 2020 (NBC Sports). É o caso raro de domínio quase total. Ainda assim, foi a cinco Olimpíadas e ganhou o ouro em três: Londres, Rio e Paris (Olympics.com). Em Pequim e em Tóquio, voltou com bronze (JudoInside).

Gráfico de barras: quanto o maior de todos perde. Tiger Woods, torneios sem vitória: 78%. Federer, torneios sem título: 72%. Federer, pontos perdidos: 46%. Riner, Olimpíadas sem ouro: 40%. Federer, partidas perdidas: 18%.
Fontes: Golf Digest (PGA Tour), estatísticas de carreira de Federer (ATP), Dartmouth, Olympics.com

E isso é o topo. Os Jogos de Paris 2024 tiveram 329 provas com medalha para uma cota de 10.500 atletas (Paris 2024 em números). A imensa maioria voltou pra casa sem ouro.

Resposta: dos três, o golfe é onde mais se perde. Depois vem o tênis. No judô, o melhor pode dominar por anos, mas não para sempre.

No negócio também não se ganha sempre

Quem toca empresa vive mais perto do golfe do que gostaria. Você disputa cliente, contrato e gente boa com muitos concorrentes ao mesmo tempo. Vai perder a maioria das disputas. E a própria empresa corre risco: segundo o Sebrae, só 62% das empresas abertas no Brasil continuam de pé depois de cinco anos (Sebrae).

Isso não é fracasso. É a matemática de um campo cheio. O erro é medir o jogo pelo dia. Federer perdeu quase metade dos pontos que jogou e está entre os maiores da história. Ele não ganhava todos. Ganhava um pouco mais da metade, por mais de vinte anos.

Cartão com a frase: Campeão não ganha sempre. Ganha um pouco mais da metade, por muito tempo.
A lição

A proposta perdida hoje é um ponto, não o torneio. O que decide é voltar amanhã com a mesma qualidade, sem carregar a derrota para a próxima reunião.

Pra quem lidera, isso muda a forma de cobrar. Olhe a taxa e a tendência, não a última derrota. Quem só comemora vitória e só cobra derrota cria uma equipe com medo de disputar. E equipe com medo de disputar não perde muito, porque não tenta.

No tatame, perder faz parte do treino. Todo judoca vai ao chão centenas de vezes antes de projetar alguém num campeonato. Quem não aceita cair não aprende a lutar.

"Porque sete vezes cairá o justo e se levantará" (Provérbios 24

). A promessa não é que o justo não cai. É que ele levanta.

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Até o melhor de todos perde quase sempre — Jeferson Guardezi